dezembro 14, 2006

38-Uma família em pé de guerra

Evelyne Barros, quinze anos, estava sentada à mesa de estar, com os livros espalhados sobre a mesma. Os testes finais seriam aplicados naquela semana e ela estava com a cabeça a ponto de estourar, tentando concentrar-se ao máximo, para entender aquele assunto de química.
Aline, treze anos, irmã de Evelyne, estava ali perto arrumando a árvore de natal com sua mãe, a doutora Marta. Eram quase nove horas da noite e tudo estava calmo. Pedro, de dezesseis anos, o mais velho dos três adolescentes da família, estava no ensaio do Grupo Jovem da igreja.
Algo na árvore de natal chamou a atenção de Eve. Aquele laço vermelho do tamanho de uma melancia, não ficava nem um pouco bem, no topo da árvore.
- Aline, não acha que esse laço combinaria melhor na sua cabeça? Está ridículo aí em cima!
Aline olhou indignada para ela.
- Pois eu acho que combinaria muito mais, se fosse colocado bem no meio do seu nariz, no culto de natal, sua tonta! Ele vai ficar aqui onde eu coloquei!
- Ô pirralha!...
- Meninas! Vocês vão começar essa briga de novo? – Marta começou a perder a calma. – Estava demorando! Eu estranhei essa paz... Toda hora, todo minuto, vocês três brigam, brigam!
- Mãe, ela começou! – Queixou-se Aline.
- Você quer que eu deixe essa coisa ridícula aí na árvore? Quando meus amigos vierem aqui vão morrer de rir!
- Pois eu não ligo, Eve! Não tô arrumando a árvore para os seus amigos gostarem. Eu...
- Chega! Chega, você duas! Se continuarem a brigar, meto a mão nas duas, ouviram? Não pensem que porque cresceram, não apanham mais! Será possível que não se pode ter paz nessa casa?
Marta, estressadíssima, estava à ponto de jogar aquela bola de natal na cabeça das duas filhas. Todo dia, toda hora, aquela família vivia em pé de guerra. Ela não agüentava mais! Eve voltou a atenção para os livros, mas antes lançou um olhar para Aline com uma mensagem clara: “Isso vai continuar lá no quarto...” Aline por sua vez, agüentava firme a provocação da irmã e começou a afiar a língua para responder às prováveis implicações de Eve.
Pouco tempo depois, chegaram Pedro e o irmão Augusto, o chefe da casa. Pedro não cumprimentou ninguém e foi direto para o quarto.
“Aí tem coisa”, pensou Eve, prendendo um risinho irônico.
Augusto estava mesmo de cara fechada. Nem beijou Marta direito, já foi dizendo:
- Moleque irresponsável! Matou o ensaio pra ficar namorando...
As duas meninas fizeram cara de espanto.
- O Pedro? Com quem, pai?
- Aquela filha do irmão José. Na hora do ensaio! Quando chega o domingo, fica de cabeça baixa, enrolando porque não sabe cantar...
Eve e Aline estavam às gargalhadas. As duas nem pensaram duas vezes e correram para o quarto do irmão.
- Ui, ui, ui... A Jane, Pedro? Oh, Jane, Jane! Amor de minha vida...! Aline provocou.
- Vocês duas parem de encher! Saiam do meu quarto, AGORA!
Eve simplesmente ria e aderia à provocação da irmã.
- Eu vou meter a mão! Saiam daqui! Ameaçava Pedro.
A porta bateu com força.
- Essa porta batendo de novo! – Marta estava outra vez irritada. Quantas vezes vou
ter que pedir pra vocês não baterem a porta?!
- Foi o Pedro, mãe – As duas meninas saíram de fininho.
Quando Eve estava guardando os livros para dormir, o pai apareceu com a
Bíblia embaixo do braço. Ela tentou correr.
- Eve! Guarde os livros e volte para o culto doméstico. Augusto não queria discutir.
Aline ouviu lá do quarto e se jogou na cama.
- Nem adianta fingir, Aline! – Eve acendeu a luz do quarto – Se eu tenho que ouvir o culto doméstico, você também tem!
Pedro também não conseguiu fugir. E lá estava a família toda reunida na sala. Augusto colocou os óculos e iniciou a leitura da Bíblia. Assim era a família Barros, freqüentadora assídua da igreja. Incapaz de seguir na prática, os preceitos bíblicos.
O natal chegou e todos, devidamente arrumados, foram para a igreja. O pensamento de Aline estava nos presentes que estariam debaixo da árvore de natal quando chegassem do culto. Eve pensava no impacto que seu vestido novo estava causando entre as outras garotas... e em Mateus. Pedro passava a mão no cabelo de vez em quando, para conferir se o gel ainda estava lá e arriscava um olhar na direção de Jane, a namorada.
Quando o pastor Fabrício começou a pregar, fez-se silêncio no templo. Era uma mensagem de reflexão.
“Irmãos, Jesus não veio ao mundo apenas para que comemorássemos essa data com presentes, roupas novas, festa...” – dizia o pastor – “Jesus veio ao mundo para trazer esperança. Esperança que hoje não existe mais para muitos de vocês que estão aqui neste culto. Mas Jesus fez-se menino e nasceu entre nós, para nos trazer paz, amor e perdão. Eu quero que vocês meditem nestas palavras, no significado real de cada uma delas. Você diz que ama a Deus e recebeu o seu Filho no seu coração. Mas existe paz na sua vida? O amor de Deus está realmente no seu coração? Você consegue perdoar?”
Aos poucos, as palavras inspiradas do pastor foram tocando nas pessoas que o ouviam. Uma atmosfera diferente envolveu o lugar. Aqui e ali, lágrimas escorriam nos rostos dos irmãos. O Espírito de Deus calmamente foi tocando, falando em cada coração.
E alcançou Eve, que já não pensava no vestido novo. Alcançou Aline e Pedro, Augusto e Marta. Dos lugares diferentes onde estavam assentados, um procurou pelo outro, com o olhar. O pastor prosseguiu:
“Existe perdão no seu lar? Jesus veio ao mundo para perdoar os nossos pecados e nos sarar. Através Dele, você também pode perdoar. Se o amor de Deus está em você, você deve ministrar perdão. Nesta noite, não saia daqui sem antes se acertar com o seu irmão. Como festejar o natal, guardando rancor no coração? Estaremos sendo hipócritas!”
Havia tanto para perdoar entre Augusto, Marta e seus filhos!
“Saia de seu lugar agora e em nome de Jesus, vá até aquela pessoa a quem você sente que precisa liberar e receber perdão. Não saia desse templo sem perdoar o seu irmão.”
Um pequeno murmúrio envolveu a igreja. As pessoas foram saindo de seus lugares e procurando umas pelas outras. A família Barros se encontrou e juntos, abraçados, pediram a graça de Deus para viverem em união. O perdão foi liberado e o Espírito de Deus os envolveu.
Mais tarde, diante da árvore de natal, Eve, Aline, Pedro e seus pais viviam a expectativa de iniciarem o ano novo baseados no perdão, aprendendo a amar-se mutuamente e a praticar o que o Filho de Deus, em sua imensa graça veio trazer ao mundo.


* * * *

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Eugeniaaaaaaa! rsrsrsrsrsrs! Tô por aqui!!! Eve é bem sugestivo! rsrsrsrsrs! Aguarde meus comentários!

26 de dezembro de 2006 às 10:35  
Anonymous Anônimo said...

eUGÊNIA, LEIO TODAS AS HITÓRIAS, NUNCA TINHA COMENTADO PORQUE DAQUI DO SERVIÇO É A PRIMEIRA VEZ QUE CONSIGO ABRIR PARA COMENTAR. SÃO LINDAS, ÓTIMAS, ESPERO QUE DEUS CONTINUE TE DANDO INSPIRAÇAO, E QUE ESTAS LINDAS HISTÓRIAS TOQUEM CORAÇÕES E TRASFORMEM VIDAS! ABRO SEU BLOG QUASE TODOS OS DIAS. BEIJOS CARINHOSOS. ANA LÚCIA

7 de fevereiro de 2007 às 04:07  

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