dezembro 14, 2006

27-Há tempo para tudo

Aline estava sentada debaixo de uma árvore pensativa.
“Afinal de contas, o que devo fazer?”
Estava tão indecisa! Sabia que deveria entregar sua vida a Jesus por completo e deixar que ele cuidasse de tudo, mas...
“E se Deus não souber escolher muito bem? Quer dizer... se Ele não acertar mesmo com o meu gosto?”
- Aline, Deus fez você. Ele sabe muito bem do que você gosta, o que você quer. Não precisa quebrar a cabeça! – irmã Amália explicava e ria da garota, quando conversaram da última vez.
- A senhora quer dizer que Ele vai fazer tudo por mim, escolher meu namorado...?
- Nem sempre, filha. Às vezes Deus só dá uma ajudinha; outras, Ele
interfere mesmo. Mas depende de você, do quanto você permite e aceita que Ele faça isso. É certo porém, que existem coisas que nós mesmos podemos fazer, e então, ficam por nossa conta. Por exemplo: que tipo de rapazes você prefere em sua compania? Que hábitos você aprecia mais? Que qualidades lhe chamam mais a atenção num garoto? Essas coisas básicas, particulares à sua personalidade, gostos e opções suas, você mesma pode definir. E dentro disso, já existe uma seleção para o tipo de namorado que você deseja ter. Mas Deus também pode ajudá-la nessa escolha, orientando-a e colocando perto de você a “pessoa certa”, dentro dos padrões que Ele sabe, se encaixam melhor para você. Sabe que Deus nos conhece muito mais do que nós mesmos nos julgamos conhecer. É por isso que em assunto de namoro, nunca é demais deixar que Deus a oriente, dissera Adélia, convicta.
“E agora?”
- Aqui estou eu novamente, pensando igual a uma boba debaixo dessa árvore! Murmurou Aline para si mesma.
- Se eu disser: “Senhor faça a tua vontade” e Ele tirar o Carlinhos de mim? Ou melhor, não me ajudar a conquistá-lo, “porque é melhor para mim”? Como eu fico? Eu também posso experimentar por mim mesma, se é o que eu quero de verdade, se vai dar certo ou não...
Que dilema! Há tempo Aline vinha orando, ou melhor: “exigindo” que Deus lhe desse o Carlinhos como namorado. Mas as coisas não iam nada bem pro seu lado, nesse aspecto. O rapaz aparentemente não estava interessado, e sequer olhava em sua direção. E ela roendo unhas, impaciente, esperando que Deus lhe fizesse “justiça!” Afinal, fazia uns meses que orava nesse sentido.
- Ai meu Senhor...! Esse namorado que não chega! Tô cansada, sabia? Minhas amigas não oram sobre isso, namoram, e eu fico aqui, hiper-encalhada! Jesus, tenha dó! Eu já tenho dezesseis anos!
Uma voz lá no fundo de seu coração pareceu sorrir enquanto sussurrava: “Menina, que idade avançada, hein? Até parece que já anda de bengala...!”
Aline teve que sorrir. Percebeu que exagerava. “Tudo bem, eu sou nova ainda. Mas é que para os padrões da sociedade já passei da idade de arrumar um namorado e estou perdendo tempo”.
Aí um pensamento veio à mente da garota: “E para os meus padrões?”
Aline sacudiu a cabeça.
- Jesus, a Bíblia parece tão ultrapassada, às vezes...
“Você já leu a Bíblia toda para dizer isso?”
- Bom...
Ela ficou sem fala. Pegou a sacola que jogara ao pé da árvore e retirou a Bíblia de lá.
- Tudo bem. Por onde eu começo? Quero uma resposta agora sobre este assunto. Estou zangada, Senhor!
Aline era assim mesmo, um tanto impaciente. Quando se irritava ia para debaixo da árvore e desabafava mesmo com Deus. Dizia tudo! Só que ultimamente, ela andava meio cega. Só via na Bíblia o que queria ver. Por exemplo, aquelas promessas da paz, amor, felicidade... Na hora de Ter paciência ou de fazer a parte dela, pelo menos “descansando no Senhor”, ela fazia ouvido de mercador e continuava sem resposta, sem perspectiva alguma, presa a seu único objeto de desejo.
Ela resolveu dar uma pausa naquele momento. Abriu a Bíblia irritada e decidiu que iria ler na primeira página em que abrisse, e aquela teria que ser a resposta do Senhor...
“Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”.
A garota leu espantada o primeiro versículo de Eclesiastes 3. Mal crendo no que via, leu novamente o versículo e continuou até o versículo 8: “...tempo de amar e tempo de odiar...”
Aline esfregou os olhos tentando afastar as lágrimas. Mas não deu. Ao dar-se conta, estava chorando! Que resposta! O Senhor ouvira sua oração zangada e falara-lhe as palavras certas. Ela sorriu ao perceber que mais uma vez, a resposta de Deus era: “Tenha paciência!” Já não estava com raiva. Nem mesmo ao ouvir a palavra “paciência” pela milésima vez. Não dava pra ficar aborrecida. A presença de Deus era tão forte, tão real! Aline curvou a cabeça em reverência.
- Obrigada Jesus. Pelo menos agora eu sei que o Senhor está me escutando e sabe perfeitamente o que eu quero. Perdoe-me pela impaciência e dá-me ânimo para esperar mais um pouco.
Aline demorou-se mais um pouquinho na presença de Deus e depois levantou-se confiante de que no tempo certo, no tempo de Deus, Ele cumpriria o desejo do seu coração.