dezembro 14, 2006

31-Gravidez na adolescência

“Elisa está grávida!”
O burburinho espalhou-se pela igreja, entre cochichos abafados. “Pelo modo como se comportava com o namorado, só podia dar nisso”, diziam outros. Tão logo descobriu seu estado, Elisa, a garota de dezesseis anos, não muito alta, cabelos castanhos lisos e olhos brilhantes, viu-se diante de uma grande decisão. Seu mundo desmoronou. Teve que enfrentar a reação abobalhada do namorado. O rapaz não sabia o que fazer. Ser pai não era uma responsabilidade para o qual se sentia preparado aos dezessete anos. Encolheu os ombros. Se pudesse simplesmente sumir...
Elisa enfrentou os pais. Sozinha. (O namorado resolvera “passar um tempo” com os avós no interior, para refletir sobre a situação). Foi duro. Contou a verdade, chorou. Os pais ficaram chocados. Sentiram raiva. Choraram também. Depois a abraçaram. “Estamos aqui”, disseram.
Mas foi difícil encarar os amigos da igreja. Alguns até se afastaram. Elisa tinha que ser forte e optou por enfrentar a decepção com os amigos também.
Foi um momento difícil, uma prova de fogo. Havia cometido um erro, um pecado diante do Senhor, contra ela mesma e o Corpo de Cristo.
Mas agora tinha que escolher o caminho que iria seguir dali por diante. Teria que escolher entre ficar no meio do caminho e afundar ainda mais no pecado, ou levantar-se com esforço, mediante a misericórdia do Senhor e prosseguir.
Elisa confessou seu erro diante de Deus, pediu perdão e forças para suportar o que viria pela frente. O Senhor providenciou-lhe socorro. Uma amiga não desistiu de amá-la. Ficou ao seu lado, orando, ouvindo, encorajando, confortando. As professoras de Escola Dominical também a ajudaram para que se erguesse espiritualmente.
A vida de Elisa nunca mais foi a mesma. Pagou um preço muito alto, amadureceu da noite para o dia, forçada pelas circunstâncias. Enfrentou a dor do preconceito e a solidão. Mas também conheceu de perto a misericórdia do Senhor, através da Sua Palavra, do Espírito Santo consolador, e de mãos amorosas, que foram estendidas em sua direção para ajudarem-na a erguer-se e prosseguir.
* * * *
Recadão:
Sei muito bem que esta é uma realidade para muitas adolescentes em nossas igrejas. Eu mesma tive uma amiga que passou por isso. Sabe o que aconteceu? Quase todo mundo virou-lhe as costas... Nos dias de hoje ainda é assim. Em vez de ajudarmos as amigas que passam por esses problemas e cometem esses “deslizes” cada vez mais comuns em nossa sociedade, a tendência é apontar o dedo, acusar, rir da desgraça alheia e ainda virar as costas. Esse comportamento é bem o oposto daquilo que a Bíblia Sagrada ensina, não é mesmo? “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.” (1CO 10:12) Esse versículo sim, deve ser a nossa realidade.
Hoje você é uma moça direita, na Casa do Senhor. Amém que seja sempre assim. Mas não ria de quem, independente dos motivos, não conseguiu “segurar a onda” e manter-se pura diante de Deus. Ajude alguém assim a levantar a cabeça e seguir em frente, com a certeza do Perdão de Cristo. Não empurre essa pessoa pro mundo. Se coloque no lugar dela e pense no tratamento que gostaria de receber se estivesse passando pela mesma dificuldade. Peça sabedoria a Deus e contribua para o Reino ajudando a firmar esta vida nos caminhos do Senhor. Faça sua parte. Sua contribuição pode ser bem simples: um simples sorriso, aperto de mão e abraço, muitas vezes é suficiente para trazer esperança a um coração já abatido e renovar as forças de quem se sente cansado na caminhada cristã. Pense nisso! Mas se você, neste caso, estiver passando pela mesma situação de Elisa, não desista do plano de Deus para sua vida! Levante a cabeça, peça perdão de seus pecados e siga em frente! O amor de Deus por você não se acaba por isso. Que Deus te abençoe!