dezembro 14, 2006

28-Férias

- Passar as férias na casa da tia Lia não tem graça, mãe – Carolina estava completamente desanimada no sofá. Com ares de tédio, abanava a cabeça pela milésima vez, como resposta às perguntas de sua mãe sobre o que ela gostaria de fazer no mês de férias.
- Na casa de tia Lia tudo tem que ficar no lugar, tenho que fazer as tarefas de casa, chegar na hora, não posso conversar com os amigos da igreja até tarde. Que férias são essas? Eu quero é me divertir!
- Pois então, fique aqui mesmo, sua chata! – a mãe de Carol aborreceu-se e foi terminar o almoço.
Carol fez uma careta, cruzou os braços e mordeu os lábios enquanto pensava numa alternativa. Grande parte da turma de adolescentes da igreja iria viajar. A maioria passaria o mês de janeiro em lugares diferentes, conhecendo gente nova, curtindo as férias. E ela? Havia um acampamento de férias, organizado por uma igreja evangélica, o mesmo para onde Amanda, sua melhor amiga iria.
É a única opção. Mas acho que vai ser um saco! Imagine, um acampamento evangélico nas férias!
Ela ficou meditando até ouvir sua mãe exigindo que a mesa do almoço ficasse pronta. Durante o almoço, Carol soltou um suspiro e anunciou:
- Vou para o Boas Novas. Pai, por favor, faça logo minha inscrição antes que termine o prazo.
Rose e Roberto, pais de Carol, pararam de mexer os talheres e sorriram discretamente.
O dia esperado chegou. Carol não conhecia o acampamento e em sua mente a única vantagem que teria em particular, era não ficar em casa, nem na casa de tia Lia, e conhecer novos amigos, quem sabe até, arranjar um namorado.
- É muito legal, dissera Amanda. Nós conhecemos muitas pessoas diferentes e visitamos muitos lugares além de nos divertirmos.
Mal chegou no acampamento, Carol levou um choque. Aquilo só podia ser quartel! Já bastavam seus pais e a igreja dizendo: “Faça isso, não faça aquilo!” Tudo tinha hora certa: café, almoço, janta, brincadeiras, passeios, local de guardar bagagem, colchão, coisas pessoais... e ainda estudo da Bíblia!
A programação era rígida em termos de organização. Havia hora para estudos bíblicos e oração. Nesses momentos, a turma de quarenta adolescentes e dez líderes, reuniam-se em círculo e discutiam textos bíblicos. Era descontraído e espontâneo, de forma que Carol acabou gostando. Também havia as aulas de teatro, dirigidas pela professora Jane, diariamente, desde o segundo dia de acampamento. Além disso, eles aprendiam músicas novas com coreografias alegres.
No final da primeira semana, com aulas puxadas de teatro, música e coreografia além do preparo espiritual, todos estavam moderadamente aptos para a surpresa. O irmão André, coordenador do acampamento Boas Novas, reuniu o grupo e disse que agora iriam praticar fora do acampamento.
- Iremos apresentar nossas peças e coreografias nas praças de nossa cidade e em locais onde algumas pessoas não podem vir até nós.
A segunda semana do acampamento foi maravilhosa; uma mistura de medo, nervosismo, alegria e ousadia. A turma foi se desprendendo e mostrando seu talento. Foi duro e cansativo, mas recompensador. Carol, que detestava andar pela rua distribuindo folhetos, passou a gostar da experiência e descobriu ainda que tinha talento para cantar.
O grupo visitou o presídio, a casa de menores, locais de shows artísticos e culturais da cidade, além do lar de velhinhos e outros locais públicos. Foi uma experiência emocionante. Assim eles falaram de Jesus, encorajaram pessoas aflitas, trouxeram uma mensagem de vida e amor para os necessitados, através da música e do teatro evangélico.
Carol estava deslumbrada! Nada a comovera mais do que conversar com as crianças de rua, conhecer suas necessidades, dar-lhes uma mensagem de carinho. Falar com os velhinhos no lar de idosos também foi uma experiência inédita para ela. Enfim, no término daquelas três semanas, Carol percebeu que havia mudado. Seu relacionamento com Deus estava mais sólido e muito diferente de antes. Seu modo de ver o evangelho e entender o “ide” de Jesus também fora modificado. A própria Carol sentia que estava diferente, transformada.
Com certeza, aquelas três semanas foram o auge de suas férias e ela curtira bastante. Percebeu que ao invés de perder tempo, ela ganhara e aprendera muita coisa. Na verdade suas férias foram um grande investimento e reviravolta em sua visão de mundo, e em seu relacionamento com os pais. Isso, eles perceberam, contentes e gratos a Deus quando a abraçaram na volta do acampamento.