novembro 29, 2006

Recadinho...



Caros leitores... perdão por deixar o blog abandonado por algum tempo e ainda por cima, tendo apagado todos os posts. Foi preciso. Mas estou recolocando as postagens e vcs poderão acompanhar as histórias (deve ter umas quarenta por aí). Então ainda tem muito a ser postado aqui...rs Agradeço a paciência, o carinho e interesse de todos!

Tenham um excelente final de semana! Ow! Se de amanhã até domingo vcs não virem novidades por aqui é porque estou meio sem tempo neste final de semana. Mas a partir de segunda darei prosseguimento aos posts.

Ah sim... Agora sobre a foto...rsss Eu não deixaria de publicar esta fotinho querida com a escritora Robin Jones Gunn, autora da Série Cris - a série que inspirou novas escritoras no orkut. Esta foto foi tirada durante o Litt-World 2006, realizado em Atibaia, SP, nos dias 12 a 17 de novembro. Vejam mais sobre ela no site: www.robingunn.com Quem quiser escrever para ela basta ver o endereço no site e mandar seu recadinho.

Pelo que Tu és


Cris acomodou-se num dos bancos da pequena igreja da Fazenda Luziânia, juntamente com outros adolescentes. Em poucos minutos, o salão ficou cheio de adolescentes e jovens. Era o II Retiro espiritual para jovens que a igreja promovia. A garota estava animada. Viera para receber bênçãos de Deus, voltar mudada pensando somente nas “coisas espirituais”.
A imagem de um rapaz moreno-claro da sua idade surgiu em sua mente. Ela suspirou baixinho. “Não, Paulinho. Não posso pensar em você agora. Vim para ter um encontro com Deus”.
A preletora começou a ministrar a primeira palestra e Cris voltou a sua atenção inteiramente para ela. Sempre que a preletora dizia algo assim: “O Senhor conhece as suas necessidades. Ele vai supri-las”, a garota sentia seus olhos começarem a lacrimejar e o coração batia mais forte. Ela viera ao Retiro em busca de respostas. Sim, o Senhor haveria de lhe responder.
O dia transcorreu cheio de programações. Palestras e mais palestras, estudos da Palavra de Deus, intervalos e momentos de reflexão à sós com Deus. Quando os jovens foram liberados para dormir à noite, Cris apressou-se em se deitar. Mas antes de dormir, seu último pensamento foi: “Senhor, dá-me uma resposta! Preciso que Tu resolvas logo o meu problema. O Senhor sabe qual é”.
No dia seguinte, Cris e os demais jovens que participavam do retiro levantaram-se cedo e reiniciaram os estudos da Palavra de Deus. Lá pelo meio-dia, no intervalo do almoço, ela sentiu uma pontinha de desespero no coração. Comeu rápido e resolveu dar um passeio pela fazenda.
“Senhor, cadê a minha resposta? Tô esperando até agora... e nada! Não quero ser chata, mas será que ainda vai demorar muito?”
O restante do dia passou devagar para Cris. A noite chegou. Cris via suas amigas avivadas, sentindo o poder de Deus. Algumas até já contavam testemunhos de como Deus falara fortemente com elas. Mas Cris sentia-se frustrada. O Senhor não lhe respondera ainda. Não dissera nada. Ela orou mais uma vez.
“Senhor, não é possível! Estou desesperada. Preciso tanto saber qual é a tua resposta para mim...”
Aí uma voz sussurrou em seu coração:
“O meu tempo, não é o teu tempo!”
Cris silenciou por um instante. Não. Aquilo não era resposta. Preferia ouvir “sim” ou “não”. Por quanto tempo ainda teria que ficar na dúvida? Ela orava todos os dias, lia a Bíblia, meditava... e Deus só dizia “aguarde”!
O domingo amanheceu com sol forte, muito bonito. Era o último dia do retiro. Logo mais à tarde, todos retornariam para as suas casas, em tempo de assistirem o culto da noite. Cris fingia que estava feliz como os outros colegas, mas assim que entrou na igreja, trincou os dentes e soltou um ultimato pra Deus: “De hoje não passa, né Senhor?”
Irmã Débora convidou a todos para se colocarem de pé e louvarem ao Senhor. Cris abriu a boca, enquanto todos louvavam a Deus, e sussurrou: “O Senhor não quis me responder...” Nessa hora uma voz forte falou para ela:
“Cris, você diz que me ama, lê a minha Palavra, ora... mas faz tudo isso, esperando apenas que responda o que você quer ouvir. Você me procura apenas pelos seus próprios interesses!”
A garota colocou as duas mãos no ouvido tentando impedir que aquela voz continuasse a falar e revelasse seus verdadeiros sentimentos, seu egoísmo e hipocrisia diante do Senhor. Mas era verdade! Ela passara três dias supostamente buscando ao Senhor, mas não abrira seu coração para receber as bênçãos espirituais que o Senhor desejava entregar-lhe.
“Sim, Jesus! Como agi mal diante de Ti! Perdoa-me! Eu quero te amar pelo que Tu és, e não pelo que podes me oferecer... esqueça minhas palavras exigentes... ensina-me o Teu caráter!”
Cris soluçava muito arrependida. O Senhor a repreendera. “O Senhor corrige a quem ama”, o Espirito Santo lembrou-lhe docemente. Cris sentiu a dor de seu peito amenizar-se e abriu seu coração para Deus. Naquele instante o poder de Deus a alcançou e ela foi renovada completamente. Minutos depois, quando a reunião acabou, ela percebeu que estava tão feliz quanto seus amigos e seu coração borbulhava sentindo a presença do Senhor.

Guitarra de Cristo

Daniel Marques passou a mão entre os cabelos pretos e soltou um suspiro. Não queria demonstrar, mas estava realmente surpreso. Alexandre e Válter olharam para ele com ar de superioridade e simpatia ao mesmo tempo. Sabiam que a proposta que acabavam de fazer ao colega era muito boa!
- Caras, vocês são muito bons! – Daniel tentou ganhar tempo. Na verdade, não sabia direito o que responder.
- Você também é muito bom nisso, Daniel. Tem talento de sobra e é perfeito para a Banda – falou Alexandre.
Daniel tentou outros argumentos do tipo “eu não sou muito bom pra essa coisa” e “puxa, eu estou tão surpreso, que nem sei o que dizer...” Mas na verdade, ele só estava tentando ganhar tempo, para não dizer nada de que viesse a arrepender-se mais tarde.
Os dois rapazes entreolharam-se cúmplices e Válter concluiu:
- Aí, cara. Você pensa e responde depois, certo? Mas pensa bem; a grana é boa, já somos sucesso nas rádios, não vai ser difícil você ficar famoso e seu talento ser reconhecido em todo o Brasil, junto com a gente.
Daniel apertou a mão dos rapazes e ficou olhando enquanto os dois se afastavam em direção ao carro. Acenou pela última vez e entrou em casa. No quarto, ele soltou um assobio e o grito que havia retido na garganta.
- Uau!!!
Aquela banda de rock estava estourando na cidade. Já haviam gravado o primeiro CD e estavam fazendo o maior sucesso. Cara! Ser convidado pra fazer parte do grupo era bom demais! E os principais vocalistas, Alexandre e Válter, vieram pessoalmente à sua casa fazer o convite!
Daniel olhou para a guitarra no canto do quarto e sorriu para ela:
- É, guitarrinha, parece que a gente vai longe...
Ele estendeu a mão para pegar o instrumento e seus olhos caíram instantaneamente sobre o adesivo “JESUS”, brilhoso e multicolorido. Era impossível não vê-lo. Quando o sol batia nele, o nome inscrito refletia e atingia em cheio nos olhos.
Daniel estremeceu e soltou a guitarra. Passou a mão no cabelo. Ele lembrava-se perfeitamente de ter entregado sua vida a Deus e de ter consagrado sua guitarra como instrumento de louvor e adoração a Deus. Aquela guitarra fora um presente de Deus. Ele era louco para ter uma, mas o dinheiro nunca dava. Quando seu tio, que era pastor, presenteou-o com aquela, ele ficou duplamente surpreso. Mas prometera usar o presente para o engrandecimento do Reino de Deus. E agora...
Ele estava precisando de dinheiro. Amava tocar, sonhava ter seu próprio grupo, louvar a Deus, viver daquilo ali. Mas aquela vidinha de guitarrista da equipe de louvor na igreja parecia não ter futuro. Elogios do pastor, dos colegas e até de gente importante era bom... Mas não enchia o bolso.
Daniel surpreendeu-se ao perceber no que estava pensando. Até instantes atrás sentia-se completamente satisfeito em louvar a Deus com sua guitarra, mesmo sem ganhar dinheiro por isso.
“Mas seria uma boa. Você tem talento e parece que a sua igreja não vê isso. Se você fosse rico... mas mal tem dinheiro para pagar os estudos! Eu acho que finalmente alguém valorizou você. Veja só: ser convidado para tocar numa super Banda!”
Daniel não via, mas Satanás estava segurando seu ombro sussurrando palavras enganosas em seus ouvidos. O nome JESUS brilhou na guitarra. Daniel viu e sentou-se na cama, de frente para ela.
- Jesus... É tão difícil tomar decisões assim!
Ele passou o dedo pelo adesivo e estremeceu.
- Eu prometi que usaria meu talento exclusivamente para a tua obra.
Ele imaginou-se no auge da fama, numa banda famosa estourando nas paradas musicais. Mas também imaginou Jesus na cruz, morrendo pelos seus pecados, libertando-o do poder das trevas.
Ele levantou-se e passou a mão no rosto atordoado.
Um corinho conhecido que ele costumava tocar na igreja veio surgindo suave, baixinho em sua mente:

Minha vida entrego a Ti
Os meus sonhos entrego a Ti
Faz de mim um vazo novo, com coração novo
Um vaso de barro em Tuas mãos...

Daniel pegou sua guitarra e fez o solo do hino, acompanhando-o com a voz. Quando terminou de cantar, ele abaixou a cabeça, consciente da decisão que iria tomar. Em voz baixa ele fez uma oração renunciando ao convite que o Mundo lhe oferecia para aquele tipo de fama. Ao terminar, sentiu um alívio e uma alegria profunda na alma.
Daniel não viu, mas um ser maligno, furioso, abandonou o quarto após a oração.
Quando Daniel comunicou sua decisão ao vocalista da banda, Alexandre desligou o telefone furioso. Mas Daniel olhou para a guitarra e comentou:
- É guitarrinha, tenho que colocar um adesivo a mais em você. Do tipo: “Esta guitarra
é do Senhor Jesus”, ou ”Guitarra de Cristo”, ou então: “A serviço do Rei...”
- Falando sozinho com a guitarra, Daniel?
O rapaz levou um susto e virou-se para encarar a mãe. Sorriu sem graça.
- A senhora sabe, mãe... – tentou explicar.
- Esse meu filho...
PS: Vc pode opinar sobre esta e as demais estórias. Se vc acha que hoje em dia é perfeitamente possível conciliar carreira musical e fé cristã, mesmo que seu trabalho não seja voltado para o público cristão, deixe aqui sua opinião. Um abraço!

A filhinha do papai

Renata estava sentada a um canto do sofá, um tanto ruborizada, enquanto todos os olhares voltavam-se para ela. Haviam sorrisos de elogio. O motivo? Seu pai, o bom irmão Rodrigues, acabara de dizer que ela era a “filha que pedira a Deus, uma bênção!”
Alguém podia dizer: “Claro, filha única!” Mas a razão não era essa. Renata era a boa menina do papai. Tão querida, meiga, obediente e comportada! Um modelo de filha... Aos olhos do pai.
A verdade, no entanto, era bem outra. Renata, órfã de mãe, morava com o pai e uma tia. Ela era cristã, como toda a sua família. Mas seu comportamento... Bem, em casa e na igreja ela era um anjo. Que garota maravilhosa!
No colégio, porém, ninguém reconheceria na Renata, a boa menina. Conversava o tempo todo na aula e, ao juntar-se com o grupo “barra pesada” da turma, não se parecia em nada com uma garota cristã. Os palavrões que dizia juntamente com os colegas, as bijuterias e a maquiagem extravagante que usava (escondida do pai, é claro! Já que ele achava um absurdo e proibia a filha de andar assim), o seu modo de agir, faziam acentuar a farsa em que ela vivia. Aliás, no colégio, ninguém sabia que ela era crente. E assim vivia Renata, em sua vida dupla.
E você me pergunta: “Como é que a Renata conseguia ser duas pessoas ao mesmo tempo, sem ninguém desconfiar?” Deixe-me explicar: as notas de Renata não eram tão baixas assim. Ela até tirava dez em algumas matérias. Ou “colando” dos colegas, ou estudando um pouquinho aqui e ali, suas notas eram razoáveis. E na igreja ela também dava conta do recado. Cantava no grupo de adolescentes, freqüentava a escola dominical e os cultos normais.
Mas as coisas nem sempre ficavam no controle e Renata começou a perceber isso. O primeiro sintoma de que nem tudo estava bem, foi a primeira nota baixa em História. Imagine! Só “decoreba”, e Renata tirou nota 5,0! É que ela preferiu passear durante a semana da prova, em vez de estudar.
O pai de Renata não resmungou nada. Afinal, sua filha ia todos os dias à casa de Arlete estudar para a prova de História que seria na sexta. E agora, como explicar aquela nota? Era um sufoco. O segundo, foi que os professores começaram a reunir-se para discutir o comportamento de Renata.
- Na última aula ela me chamou de “balofa”, na frente da turma! – Dizia a professora de inglês (que era um pouco obesa) aos colegas, indignada.
Alguma coisa tinha que ser feita! Todos concordaram. Resolveram que estava na hora de ter uma conversa com o pai de Renata, já que a garota era “impossível”. Ela não os escutava.
Então começaram a enviar bilhetinhos para o pai de Renata. Mas o Seu Rodrigo não aparecia. Renata dava fim aos bilhetes e o pai continuava com a ilusão de ter uma boa menina em casa. A Direção da escola resolveu ligar. No começo foi difícil. Renata corria na frente da empregada e atendia a todos os telefonemas. Assim, o pai continuava sem saber de nada. Até que um dia, Renata foi à praia com suas amigas no final de semana, e a diretora resolveu ligar. É claro que o seu Rodrigues atendeu e ficou cho-ca-do!
Quando chegou à casa bronzeada, Renata deparou-se com um pai decepcionado e vermelho de raiva. Sua filha não era o que ele pensava. Aí, pela primeira vez na vida, Renata teve um bate-boca com seu pai e se trancou no quarto.
Que raiva daquela diretora! Renata resolveu ligar para Arlete, a amiguinha de classe.
- Arlete, meu pai descobriu tudo!
- Tudo o quê, Renata?
- Ai, Arlete! Tudo! A nota baixa, a briga com a professora de inglês... Ele disse que os professores o convocaram para uma reunião.
- Xi! Menina, você tá na pior! Mas não esquenta, não – disse Arlete – isso passa. Depois ele acostuma. O meu pai no começo era uma fera. Mas agora... Ele sabe que eu sou assim mesmo!
Essa Arlete não sabe de nada, pensou Renata. Melhor desligar.
- Tá bom, Arlete, eu só liguei pra te contar.
Ela ia desligar, mas Arlete lembrou de mais uma coisa.
- É verdade que você é crente?
- Euuuuuuuuuuu...? – Renata engasgou – Imagina! Quem foi que inventou essa “barbaridade”?
- Inventou nada! A Angélica te viu na igreja domingo passado. Ela disse que foi com a avó que é crente e te viu de longe, só que não deu pra falar com você.
E agora?
- Eu acho que ela viu alguém parecidíssima comigo, mas não era eu não...
- Era sim, Renata! A Angélica não mente e a turma toda já sabe. Prepare-se, que na segunda-feira vão pegar no seu pé. Que crente você é, hein?
Arlete soltou uma risadinha e desligou.
Agora, sim! Tudo estava perdido. Renata estava mesmo em maus lençóis. Ela voltou para o quarto e caiu na cama em prantos. Lembrou-se do salmo 1.1:
Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, e não se assenta na roda dos escarnecedores
O que fazer? Ela seguira mesmo a Cartilha Errada. Que tristeza! Renata lembrou-se da professora da escola dominical.
Eu preciso falar com ela!
Vestiu-se rápido e ligou para Clarice, avisando que precisava vê-la com urgência. Foi saindo e encontrou o pai na sala.
- Pai, vou à casa da professora Clarice.
Era perto, no outro quarteirão. Seu Rodrigues ainda estava chateado e perguntou com ar de incredulidade e ironia:
- Será que vai mesmo? Não está pensando em sair por aí com suas amiguinhas?
Renata ficou chocada e seus olhos encheram-se de lágrimas. Seu pai nunca duvidara dela. Mas antes que ela dissesse qualquer coisa para se defender, ele sacudiu as mãos:
- Pode ir... Mas volte logo.
Renata viu o jeito abatido do pai e sentiu-se terrivelmente culpada. Queria abraçá-lo, prometer que nunca mais iria decepcioná-lo, mas havia um nó na garganta e ela, sem dizer nada, saiu. Quando chegou à casa de Clarice estava quase soluçando. Sem esperar qualquer pergunta, ela contou toda a verdade.
- E agora, Clarice, o que eu faço?
- Sua história é muito triste, Renata. Você enganou até a mim. Mas agora você sabe quão verdadeiras são as palavras bíblicas: ”Não há nada encoberto no céu e na terra.” Nosso Deus é justiça, mas também é amor, Renata. Você já pediu perdão a Ele?
- Estou arrependida, mas ainda não orei sobre isso, nem pedi perdão ao meu pai.
- Então vamos falar com Deus e depois você vai ter uma conversa com o irmão Rodrigues.
As duas ajoelharam-se e Renata confessou seu erro, prometendo mudar de vida e acabar de vez com sua farsa.
Ao chegar a casa, Renata encontrou seu pai ainda chateado. Dessa vez ela teve coragem:
- Pai, me perdoa... Prometo que não vou mais mentir, nem decepcioná-lo. Nunca mais!
Seu Rodrigues deu um suspiro longo, passou-lhe um “sermão” e por fim, abraçou-a oferecendo-lhe seu perdão.
Duro, foi enfrentar os amigos da escola na segunda-feira seguinte. Mas Renata aprendeu que não valia a pena abrir mão de ser um cristão de verdade e isso foi de grande ajuda para encarar a turma e mostrar que estava disposta a ser diferente.

Senhorita Ninguém

Oi! Meu nome é Sara. Tenho dezesseis anos, sou morena, possuo cabelos cacheados e longos, e sou alta. Meus pais dizem que sou muito bonita. Mas sabe como são os pais. Filho nenhum é feio, sem graça ou incapaz.
Ontem, fui àquela reunião de jovens que acontece uma vez por semana em nossa igreja, e o irmão André falou sobre os problemas dos adolescentes. No começo eu pensei que ele não ia dizer coisa com coisa. O que ele entende dos nossos problemas?
Mas alguma coisa mexeu comigo durante a palestra. Foi quando ele falou que não devemos nos menosprezar, porque Deus não se agrada. Deus nos ama do jeito que somos, com nossas características físicas e tem um plano para cada um de nós.
Apesar de tudo que nosso líder falou eu me sentia ninguém.
Sem me preocupar muito com o que algumas pessoas poderiam pensar, rabisquei num papel: “Senhorita Ninguém”.
Você pode até achar engraçado. Mas eu escrevi com a maior convicção do mundo! Principalmente depois que o Tiago sentou do meu lado com aquele jeito dele, aquela calça folgada que ele gosta tanto de usar e não tá nem aí.
O Tiago é meu melhor amigo. Nós dois somos um contraste. Ele é o rapaz mais bonito da igreja e do colégio. As meninas estão sempre de olho nele e como meu amigo não é de perder tempo, nunca ficou sem namorada. E eu nunca tive um namorado. O Tiago diz que é porque eu sempre gosto das pessoas erradas e não dei bola para os poucos rapazes que se interessaram algum dia por mim (apesar de que todos eles foram reprovados pelo meu amigo). Mas isso tudo não me convencia. Eu achava mesmo era que meu amigo queria apenas me tapear, pra não me deixar tão deprimida. Na realidade eu me achava muito feia.
Ele viu o que eu rabisquei no papel e perguntou o porquê. Eu rasguei o papel e dei de ombros. Mas ele sabia de meu maior problema e entendeu na hora. O irmão André chamou à frente as pessoas que sofriam de algum complexo de inferioridade, para receber uma oração. De um jeito ou de outro, percebi que não podia passar o resto da minha vida me achando feia, deixando de aproveitar mais a vida, por causa desse complexo.
Criei coragem e fui à frente. Fiquei surpresa quando vi que a maioria dos jovens atendeu o convite. Até a Daniela, que é considerada a “beldade” da igreja, estava lá. Quando dobrei os joelhos e fechei meus olhos, alguém bateu em mim sem querer. Abri os olhos e me espantei. Era o Tiago!
Depois da oração, a programação terminou e fomos para o ponto de ônibus. Perguntei que tipo de complexo meu amigo tinha. (Aos meus olhos, Tiago é o cara mais lindo que conheço.) Meu amigo disse o que era e eu achei uma bobagem. No caso dele, vira até charme! Aí ele olhou pra mim bem sério e disse que me achava uma das garotas mais bonitas da igreja e que outros rapazes achavam assim também. Fiquei pasma! Ele insistiu:
- Tô falando sério! Os “caras” não se aproximam muito de você porque acham que não têm a menor chance!
Perguntei por que ele nunca tinha me dito aquilo antes.
- Me poupe, Sara! Pra quê? Pra você arrumar um namorado e se afastar de mim? Por mim, pode continuar sendo a “Senhorita Ninguém”...
Ele não terminou de falar porque eu fiquei furiosa e ele precisou correr de mim. Mui amigo! Já pensou? Eu amargando minha falta de beleza e encanto e o meu amigo escondendo a opinião masculina favorável a meu respeito!
Apesar de tudo foi bom ouvir o que ele me disse. “Antes tarde, do que nunca!” Eu particularmente aprendi uma lição. Descobri que a auto-estima está dentro da gente. Por mais que a gente se ache feio sempre haverá alguém que pensa o contrário. A gente é que tem que se valorizar e se gostar do jeito que é.
E você? Já passou por isso alguma vez? Deixe-me alertá-la de que a sua história pode ser bem parecida com a minha. Olhe de novo pra você. Tenho certeza de que vai encontrar belezas escondidas que o Criador colocou somente em você!

O Livro

Artur olhou em volta, procurando o pano para enxugar o carro. Lá estava ele! Iniciou a parte final do seu trabalho e, ao terminar, contemplou sorridente o resultado.
Este carro está maravilhoso!
Ele deu uma volta ao redor do veículo e assobiou.
Nada mal. O irmão João vai gostar de ver.
Guardou o material usado para a lavagem do carro e sentou-se um pouco, esperando. O professor da escola dominical, um tanto gordinho, apareceu na garagem. Ele olhou o carro com satisfação e sorriu para Artur.
- Eh, irmãozinho, Deus te abençoe. O carro está quase divino. Belo trabalho!
Irmão João colocou a mão no bolso e tirou a carteira. Olhou para Artur.
- Você já comprou aquele livro?
- Ainda não. Mas vou comprar assim que tiver dinheiro. – Respondeu o adolescente, prontamente.
- Amanhã a livraria da igreja estará aberta. Não esqueça de comprar.
Irmão João estendeu a nota de R$ 20,00 para o garoto, que arregalou os olhos.
- Obrigado, irmão João... Eu... Deus abençoe o sr. também!
O professor sorriu.
- Lembre-se da escola dominical amanhã. E quando acabar de ler o livro me conte sobre o que aprendeu.
Artur saiu radiante. “Puxa! Vinte reais!” Certo que caprichara, mas o irmão João fora mesmo generoso. Chegou em casa contentíssimo.
- Mãe, já tenho o dinheiro do livro. O irmão João me deu por ter lavado o carro dele.
Gisleide sorriu para o filho. Ele só tinha doze anos, mas estava um homenzinho. E como gostava de ler! A Bíblia era um de seus livros prediletos, mas há dias ele vinha importunando os pais para adquirir um livro que falava sobre a vida de um missionário. A situação financeira da família não era nada satisfatória e por isso, não se podia gastar dinheiro com este fim. Mas agora, vendo o sorriso do filho e o jeito como ele guardava o dinheiro na carteira, ela suspirou alegre e agradeceu a Deus pelo presente.
A manhã de domingo chegou radiante, com o forte brilho do sol. Artur pulou cedo da cama. Havia dois motivos fortes para isso: a visita do missionário Augusto, que chegara da África há uma semana; e a compra do livro tão desejado.
A Escola Dominical começou animada. Por causa do missionário, a Escola realizou-se em classe única. Lá estava o visitante alto e magro, metido naquele paletó, usando aquela gravata...
Ele começou a falar e Artur não perdia uma só palavra. O missionário contou como era realizado o trabalho entre o povo africano e as dificuldades enfrentadas na missão. Aí, ele falou que um amigo seu, também missionário, estava na África com uma filhinha muito doente. Ele recebera um telefonema pedindo ajuda para o tratamento da garotinha.
Artur começou a sentir uma inquietação quando o missionário terminou de falar e o pastor da igreja pediu que os irmãos que quisessem, viessem à frente depositar uma oferta para ajudar a filha do missionário. Ele ficou olhando as pessoas levantarem-se. Pensou no dinheiro que estava em seu bolso.
É pro meu livro. É tudo o que tenho!
Uma jovem tocava um hino ao piano, enquanto as pessoas moviam-se até a frente do púlpito com a oferta. Súbito, Artur tomou uma decisão. Doeu. Ele sentiu mesmo o que estava fazendo. Mas em seu coração havia uma certeza de que o Senhor se alegraria muito. Levantou-se também e depositou sua oferta.
O missionário agradeceu a todos que contribuíram, o pastor fez uma oração e concluiu a Escola Dominical. Artur se dirigia à porta de saída do templo, quando alguém tocou seu ombro.
- Já comprou o livro, rapaz?
Era o irmão João.
- Ainda não professor. Vai ficar pra depois.
O professor ergueu uma sobrancelha curioso e o garoto lhe explicou porque adiara a compra do livro. O professor sorriu e deu-lhe um tapinha no ombro.
- Fico contente, Artur!
E saiu.
À noite, Artur foi à igreja novamente. Mas ao chegar em casa, encontrou um pacote em cima de sua cama. Seu coração acelerou.
Será o que eu estou pensando?
Ele agarrou o pacote e abriu-o. Lá estava o livro tão desejado. Na primeira página havia uma mensagem:
“Espero que você não tenha se arrependido pela contribuição de hoje. Deus o abençoe!”
Artur sorriu e agradeceu a Deus em seu coração. Depois lembrou-se de um pequeno detalhe:
Bem que o irmão João chegou atrasado no culto hoje à noite...