21-A história de um folheto
Era um folheto igual aos demais que estavam nas mãos de alguns adolescentes. Era domingo e, como de costume, logo após a Escolha Dominical a Classe dos Adolescentes revezava seus alunos na distribuição de folhetos ali na Praça do Relógio, em Taguatinga. Quem passava por lá, aos domingos, naquele horário, recebia um folheto com uma curta mensagem evangelística.
Jocilene estava já meio cansada. Queria ter dormido mais um pouco àquela manhã. Mas claro, nos domingos pela manhã e à noite, a família dirigia-se à igreja. E naquele domingo, ela estava na escala do evangelismo. Ela gostava de entregar folhetos. Achava que era uma forma de contribuir para Deus, já que não era muito de sair pregando na escola ou seja lá aonde fosse. Ela entregava as mensagens e, quando alguém se mostrava mais interessado, dizia uma palavra a mais. E se o assunto fosse mais profundo, ela buscava a ajuda do Irmão Gustavo e Irmã Iliete. Neste domingo, porém, aparentemente, os esforços da garota traziam poucos resultados. Afinal, ela viu boa parte dos folhetos que distribuíra sendo jogados ao chão, ou na primeira lata de lixo. Alguns eram rasgados. Alguns porém, muito poucos, eram guardados dentro de livros, cadernos, bolsas de pessoas que passavam apressadas, mas não se desfaziam logo do papel.
Um dos folhetos jogados ao chão, voou, sendo carregado pelo vento e chocou-se no primeiro banco da praça. Jocilene deu um suspiro. “Lá se vai uma mensagem perdida!”, pensou. Ela não observou muito, por isso não percebeu que, pela força do vento, o pequeno papel ficou agarrado ao pé do banco onde estava um velhinho sentado lendo o jornal do dia. Quando acabou de ler o jornal, o velhinho levantou-se e sem querer chutou o pé do banco. O folheto desprendeu-se suavemente, foi pisado pelo mesmo velhinho e lá se foi arrastado pelo vento.
Dessa vez, um moleque que andava à toa, viu o papel voando, achou engraçado, correu atrás e pegou-o. Viu do que se tratava, fez com ele uma bolinha de papel e pôs-se a chutá-la por alguns instantes até que a bolinha foi jogada para mais longe.
Jocilene e o grupo de amigos já haviam saído da praça. Tinham feito o trabalho evangelístico naquele dia e o almoço os aguardava em suas casas. Mas o folheto desgarrado continuou sua peregrinação. Chutado, apanhado, lido rapidamente, jogado novamente ao chão, levado pelo vento. Lá se foi o pequeno papel com versículos bíblicos e uma mensagem curta, fácil de ler, sobre a Salvação.
No decorrer daquela tarde, Jocilene se pegou meditativa e um pouco triste, pensando em quão poucas pessoas haviam se permitido receber os folhetos naquele dia. “Será que nosso tempo é perdido? Às vezes acho que, se não há muito para quem entregar ali, deveríamos mudar de local. Ou de estratégia. As pessoas não estão nem aí pra Deus! Nem aí pro nosso trabalho... Será que isso dá resultado?”
O dia chegou ao fim. Perto das 20h da noite, os “Inquilinos da Praça” foram chegando. Mendigos, drogados, sem-teto, foram se arranjando nos bancos frios, nos pontos de ônibus mais próximos ou no chão duro. Mais tarde um pouco, já pelas 22h, um mendigo sujo, com a barba crescida, aproximou-se de um dos lados da praça com sua carroça cheia de caixas de papelão e alguns papéis. No canto do murinho de cimento que protegia uma das árvores da praça, ele viu um papel bonito, colorido e amassado. Apanhou-o e guardou-o no bolso sujo da camisa. Depois empurrou a carroça para um canto, forrou o chão com papelão e sentou-se. Lembrou-se do cigarro e colocou a mão no bolso da camisa para procurá-lo. Suas mãos retiraram o pequeno papel amassado e gasto. Abriu-o devagar e começou a ler com dificuldade.
Aquele homem anônimo, de meia-idade, foi sentindo um alívio, um bálsamo suave dentro de si enquanto lia. Palavras vivas, falando de amor e de salvação penetraram em seu coração machucado. As mãos ficaram trêmulas. Os olhos encheram-se de lágrimas e elas escorreram pelo seu rosto sujo e endurecido pelo vento. Contudo, dentro daquele corpo imundo, um coração sofrido e embrutecido pela dureza da vida, era acalentado pela Palavra de Deus.
Horas depois, alguém passou pela praça e viu um mendigo dormindo no chão com as mãos dobradas sobre o peito, segurando um papel amassado junto ao peito. Seu rosto, apesar de sujo, trazia uma expressão de paz.
Àquela mesma hora, Jocilene dormia em sua cama confortável. Antes de se deitar ela havia orado, contado ao Senhor de suas dúvidas e apreensões quanto ao alcance do evangelismo aos domingos na Praça do Relógio. Talvez algum dia, ainda na Terra, ela viria a saber que aquele folheto desprezado, jogado no chão da praça, havia chegado a seu destino e cumprido sua missão. Através daquele papel sujo e amassado, uma vida foi abençoada com "uma pequena porção da Palavra de Deus". E resgatada das trevas para a maravilhosa luz de Cristo.
Jocilene estava já meio cansada. Queria ter dormido mais um pouco àquela manhã. Mas claro, nos domingos pela manhã e à noite, a família dirigia-se à igreja. E naquele domingo, ela estava na escala do evangelismo. Ela gostava de entregar folhetos. Achava que era uma forma de contribuir para Deus, já que não era muito de sair pregando na escola ou seja lá aonde fosse. Ela entregava as mensagens e, quando alguém se mostrava mais interessado, dizia uma palavra a mais. E se o assunto fosse mais profundo, ela buscava a ajuda do Irmão Gustavo e Irmã Iliete. Neste domingo, porém, aparentemente, os esforços da garota traziam poucos resultados. Afinal, ela viu boa parte dos folhetos que distribuíra sendo jogados ao chão, ou na primeira lata de lixo. Alguns eram rasgados. Alguns porém, muito poucos, eram guardados dentro de livros, cadernos, bolsas de pessoas que passavam apressadas, mas não se desfaziam logo do papel.
Um dos folhetos jogados ao chão, voou, sendo carregado pelo vento e chocou-se no primeiro banco da praça. Jocilene deu um suspiro. “Lá se vai uma mensagem perdida!”, pensou. Ela não observou muito, por isso não percebeu que, pela força do vento, o pequeno papel ficou agarrado ao pé do banco onde estava um velhinho sentado lendo o jornal do dia. Quando acabou de ler o jornal, o velhinho levantou-se e sem querer chutou o pé do banco. O folheto desprendeu-se suavemente, foi pisado pelo mesmo velhinho e lá se foi arrastado pelo vento.
Dessa vez, um moleque que andava à toa, viu o papel voando, achou engraçado, correu atrás e pegou-o. Viu do que se tratava, fez com ele uma bolinha de papel e pôs-se a chutá-la por alguns instantes até que a bolinha foi jogada para mais longe.
Jocilene e o grupo de amigos já haviam saído da praça. Tinham feito o trabalho evangelístico naquele dia e o almoço os aguardava em suas casas. Mas o folheto desgarrado continuou sua peregrinação. Chutado, apanhado, lido rapidamente, jogado novamente ao chão, levado pelo vento. Lá se foi o pequeno papel com versículos bíblicos e uma mensagem curta, fácil de ler, sobre a Salvação.
No decorrer daquela tarde, Jocilene se pegou meditativa e um pouco triste, pensando em quão poucas pessoas haviam se permitido receber os folhetos naquele dia. “Será que nosso tempo é perdido? Às vezes acho que, se não há muito para quem entregar ali, deveríamos mudar de local. Ou de estratégia. As pessoas não estão nem aí pra Deus! Nem aí pro nosso trabalho... Será que isso dá resultado?”
O dia chegou ao fim. Perto das 20h da noite, os “Inquilinos da Praça” foram chegando. Mendigos, drogados, sem-teto, foram se arranjando nos bancos frios, nos pontos de ônibus mais próximos ou no chão duro. Mais tarde um pouco, já pelas 22h, um mendigo sujo, com a barba crescida, aproximou-se de um dos lados da praça com sua carroça cheia de caixas de papelão e alguns papéis. No canto do murinho de cimento que protegia uma das árvores da praça, ele viu um papel bonito, colorido e amassado. Apanhou-o e guardou-o no bolso sujo da camisa. Depois empurrou a carroça para um canto, forrou o chão com papelão e sentou-se. Lembrou-se do cigarro e colocou a mão no bolso da camisa para procurá-lo. Suas mãos retiraram o pequeno papel amassado e gasto. Abriu-o devagar e começou a ler com dificuldade.
Aquele homem anônimo, de meia-idade, foi sentindo um alívio, um bálsamo suave dentro de si enquanto lia. Palavras vivas, falando de amor e de salvação penetraram em seu coração machucado. As mãos ficaram trêmulas. Os olhos encheram-se de lágrimas e elas escorreram pelo seu rosto sujo e endurecido pelo vento. Contudo, dentro daquele corpo imundo, um coração sofrido e embrutecido pela dureza da vida, era acalentado pela Palavra de Deus.
Horas depois, alguém passou pela praça e viu um mendigo dormindo no chão com as mãos dobradas sobre o peito, segurando um papel amassado junto ao peito. Seu rosto, apesar de sujo, trazia uma expressão de paz.
Àquela mesma hora, Jocilene dormia em sua cama confortável. Antes de se deitar ela havia orado, contado ao Senhor de suas dúvidas e apreensões quanto ao alcance do evangelismo aos domingos na Praça do Relógio. Talvez algum dia, ainda na Terra, ela viria a saber que aquele folheto desprezado, jogado no chão da praça, havia chegado a seu destino e cumprido sua missão. Através daquele papel sujo e amassado, uma vida foi abençoada com "uma pequena porção da Palavra de Deus". E resgatada das trevas para a maravilhosa luz de Cristo.

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