17-Um dia de mãe
Isaura passeava de um lado para outro da casa, eufórica e ao mesmo tempo preocupadíssima com cada detalhe que não poderia ser esquecido, enquanto estivesse fora.
Era só um dia, apenas aquele sábado. Mas havia muito com que se preocupar: a casa, o bebê, o marido, os outros dois filhos...
Bia, de treze anos, a mais velha da casa, ainda passava a mão nos olhos, sonolenta. Olhou o relógio de parede com pesar:
“Sete horas! Eu poderia dormir até as onze...”
- Bia, não esqueça de nada do que te falei. Você lembra de tudo, não é?
Ela virou-se para a mãe, que apanhava a bolsa e colocava a tiracolo, já pronta para sair, e murmurou:
- Lembro, mãe.
- Ótimo, filha. Um beijo. Não esqueça de olhar o Felipe. E deixe o almoço pronto para quando o seu pai chegar. Acorde o André. Tchau, filha!
Ela saiu dando uma última olhada na casa, para certificar-se de que não esquecera de nada. Papai saiu logo atrás. Deixaria a esposa na igreja, e de lá, iria direto para o trabalho.
Bia deixou a cabeça cair sobre a mesa cheia de louça suja do café e adormeceu. Acordou com os murros do irmão de dez anos.
- Acorda, sua tonta! O Felipe tá chorando. Cadê a mamãe?
Bia deu um salto, olhou para o relógio e pôs a mão na cabeça.
“Essa não! São dez horas!”
Correu para o quarto do bebê, tentando lembrar das instruções que sua mãe dera.
- Calma, Felipinho, a mamadeira já está prontinha!
Balançou um pouco o irmão no berço e correu para a cozinha.
“Onde foi mesmo que a mamãe deixou a mamadeira?”
Lá estava ela, em cima do fogão. E o bebê chorava, chorava! Quando conseguiu acalmá-lo, já eram dez e meia. A garota foi para a cozinha e começou a tirar os pratos sujos da mesa.
- Ei, deixa aí! Eu ainda nem tomei café! – André sentou-se rápido à mesa. Cadê a mamãe? Essa casa tá uma bagunça!
- Mamãe foi passar o dia fora, naquela programação especial da igreja para o dia das mães. Eu e você vamos tomar conta da casa hoje, disse Bia, com voz de comando.
- Quem? Eu? Ah, não! Tô fora! Vou jogar bola na rua.
O garoto agarrou um pedaço de pão e saiu correndo pela porta.
- André, volte aqui!
Mas o moleque já ía longe... O jeito foi se virar sozinha. Bia recolheu os pratos, limpou a mesa e foi ver o que a mãe havia deixado para o almoço: galinha crua e temperada. “Como vou saber, se a galinha já está pronta para comer?” Tentou lembrar o que sua mãe dissera pouco antes de se arrumar para sair.
“Picar cebola, tomate, colocar água... Quanto mesmo de água? É antes ou depois de refogar? Ai, meu Deus!”
Graças a Deus, Isaura deixara tudo anotado num papel enganchado na porta da geladeira. Foi um alívio! Mesmo assim, não era tão fácil seguir as instruções. Sem falar no Felipe, que chorava querendo atenção.
Quando terminou de fazer o almoço, doze e meia, a cozinha estava suja, os pratos na pia ainda por lavar e mais um bom número de panelas que ela usara para o almoço.
“Não posso acreditar que ainda precisarei lavar tudo isso!”
Mas papai chegaria logo, logo, e ela sabia muito bem como ficaria o seu humor, se encontrasse a cozinha naquelas condições. Lavou os pratos, as panelas, e começou a varrer o chão. Então papai chegou. Bem na hora em que o Felipe começou a chorar de novo.
- Olá, filhinha! Como está se saindo?
Bia nem respondeu. A cara já dizia o quanto estava cansada. Papai sorriu e abraçou-a com carinho.
- Sua mãe faz uma falta, né filha?
E que falta! Ela poderia estar assistindo televisão, lendo alguma revista, qualquer coisa assim!
Depois do almoço a mesma rotina dos pratos. Depois, veio a arrumação da casa, que não fora possível pela manhã. Papai ajudava, mas era tão desajeitado!
Finalmente o fim de tarde chegou, e com ele, a mamãe. Beatriz nunca ficara tão contente em ver a mãe de volta.
- E aí, Bia? Deu pra agüentar o “tranco”? Tudo certinho aí?
- É... Dentro do possível!
Isaura abraçou a filha com carinho.
- Foi um dia cheio hoje, né filha?
- Foi um “dia de mãe” na minha vida, sabe? Concluiu Beatriz.
Naquele sábado, Bia foi dormir mais cedo. Mas não sem antes escrever no diário sobre as experiências do dia e preparar uma lembrançinha especial para entregar à mãe no dia seguinte, o Dia das Mães.
Era só um dia, apenas aquele sábado. Mas havia muito com que se preocupar: a casa, o bebê, o marido, os outros dois filhos...
Bia, de treze anos, a mais velha da casa, ainda passava a mão nos olhos, sonolenta. Olhou o relógio de parede com pesar:
“Sete horas! Eu poderia dormir até as onze...”
- Bia, não esqueça de nada do que te falei. Você lembra de tudo, não é?
Ela virou-se para a mãe, que apanhava a bolsa e colocava a tiracolo, já pronta para sair, e murmurou:
- Lembro, mãe.
- Ótimo, filha. Um beijo. Não esqueça de olhar o Felipe. E deixe o almoço pronto para quando o seu pai chegar. Acorde o André. Tchau, filha!
Ela saiu dando uma última olhada na casa, para certificar-se de que não esquecera de nada. Papai saiu logo atrás. Deixaria a esposa na igreja, e de lá, iria direto para o trabalho.
Bia deixou a cabeça cair sobre a mesa cheia de louça suja do café e adormeceu. Acordou com os murros do irmão de dez anos.
- Acorda, sua tonta! O Felipe tá chorando. Cadê a mamãe?
Bia deu um salto, olhou para o relógio e pôs a mão na cabeça.
“Essa não! São dez horas!”
Correu para o quarto do bebê, tentando lembrar das instruções que sua mãe dera.
- Calma, Felipinho, a mamadeira já está prontinha!
Balançou um pouco o irmão no berço e correu para a cozinha.
“Onde foi mesmo que a mamãe deixou a mamadeira?”
Lá estava ela, em cima do fogão. E o bebê chorava, chorava! Quando conseguiu acalmá-lo, já eram dez e meia. A garota foi para a cozinha e começou a tirar os pratos sujos da mesa.
- Ei, deixa aí! Eu ainda nem tomei café! – André sentou-se rápido à mesa. Cadê a mamãe? Essa casa tá uma bagunça!
- Mamãe foi passar o dia fora, naquela programação especial da igreja para o dia das mães. Eu e você vamos tomar conta da casa hoje, disse Bia, com voz de comando.
- Quem? Eu? Ah, não! Tô fora! Vou jogar bola na rua.
O garoto agarrou um pedaço de pão e saiu correndo pela porta.
- André, volte aqui!
Mas o moleque já ía longe... O jeito foi se virar sozinha. Bia recolheu os pratos, limpou a mesa e foi ver o que a mãe havia deixado para o almoço: galinha crua e temperada. “Como vou saber, se a galinha já está pronta para comer?” Tentou lembrar o que sua mãe dissera pouco antes de se arrumar para sair.
“Picar cebola, tomate, colocar água... Quanto mesmo de água? É antes ou depois de refogar? Ai, meu Deus!”
Graças a Deus, Isaura deixara tudo anotado num papel enganchado na porta da geladeira. Foi um alívio! Mesmo assim, não era tão fácil seguir as instruções. Sem falar no Felipe, que chorava querendo atenção.
Quando terminou de fazer o almoço, doze e meia, a cozinha estava suja, os pratos na pia ainda por lavar e mais um bom número de panelas que ela usara para o almoço.
“Não posso acreditar que ainda precisarei lavar tudo isso!”
Mas papai chegaria logo, logo, e ela sabia muito bem como ficaria o seu humor, se encontrasse a cozinha naquelas condições. Lavou os pratos, as panelas, e começou a varrer o chão. Então papai chegou. Bem na hora em que o Felipe começou a chorar de novo.
- Olá, filhinha! Como está se saindo?
Bia nem respondeu. A cara já dizia o quanto estava cansada. Papai sorriu e abraçou-a com carinho.
- Sua mãe faz uma falta, né filha?
E que falta! Ela poderia estar assistindo televisão, lendo alguma revista, qualquer coisa assim!
Depois do almoço a mesma rotina dos pratos. Depois, veio a arrumação da casa, que não fora possível pela manhã. Papai ajudava, mas era tão desajeitado!
Finalmente o fim de tarde chegou, e com ele, a mamãe. Beatriz nunca ficara tão contente em ver a mãe de volta.
- E aí, Bia? Deu pra agüentar o “tranco”? Tudo certinho aí?
- É... Dentro do possível!
Isaura abraçou a filha com carinho.
- Foi um dia cheio hoje, né filha?
- Foi um “dia de mãe” na minha vida, sabe? Concluiu Beatriz.
Naquele sábado, Bia foi dormir mais cedo. Mas não sem antes escrever no diário sobre as experiências do dia e preparar uma lembrançinha especial para entregar à mãe no dia seguinte, o Dia das Mães.

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