10- Doze de junho
Lidiane tinha onze anos quando chegou em casa com um sorriso que ia de ponta a ponta de cada orelha. Juliete, a tão maravilhosa mamãe, estranhou tamanha euforia, mas descobriu logo o motivo.
- Mãe, olha o que eu ganhei do Beto! Luciana ergueu a mão e mostrou a barra de chocolate. Juliete sorriu desconfiada. Não queria estragar a alegria da filha, mas precisava entender melhor a situação.
- Por que o Beto lhe deu esta barra de chocolate?
- Ora, mamãe! Ele gosta de mim. Somos namorados agora.
- Ah... é? Qual é mesmo a idade do Beto?
- A senhora sabe, mãe. Ele tem doze anos. Não está feliz?... O riso de Lidiane murchara em seu rosto.
Juliete abraçou a filha e acompanhou-a até seu quarto.
- Querida, eu fico contente por ver que o Beto gosta de você. É bom ter amigos nessa idade...
- Mas não somos amigos. Somos na-mo-ra-dos!
- Lidiane, você é muito nova para namorar! Juliete sorriu e Lidiane engoliu aquilo por um instante; depois comentou num tom de quem sabia bem do assunto.
- Minhas amigas não acham, nem as revistinhas escritas pra gente da nossa idade. A mãe da Cristina disse uma vez pra nós duas, que a vida é curta e temos que aproveitar!
- E o que eu e o seu pai sempre dizemos para você?
Lidiane soltou um suspiro.
- Há tempo para tudo, “querida” – Ela arremedou os pais.
Juliete continuou seu discurso:
- Você é muito nova ainda. Terá oportunidade de crescer e aproveitar cada nova fase de sua vida. Isso inclui o namoro. Por enquanto, aproveite seus amigos, divirta-se e estude. Quanto às revistinhas que você anda lendo, gostaria de dar uma olhadinha nelas. E entenda uma coisa, filha: nem tudo o que a gente lê, é para ser seguido ao pé da letra, ouviu?
Depois veio o Vítor, quando ela tinha treze anos. Eles estudavam na mesma sala, participavam dos mesmos grupos de trabalho e ele era lindo, excepcionalmente lindo, na ótica de Lidiane. Ela achou que a idade ideal finalmente chegara e foi conversar com a mãe. Que decepção! Sua mãe não concordara com ela e até sorrira dizendo que a idade certa iria chegar.
- Ah, é? E quando? Qual é, finalmente, a idade certa? Ela explodiu.
Juliete pensou um pouco.
- Quando você tiver uns quinze, dezesseis anos, se aparecer um rapaz decente, se seu pai e eu concordarmos com o assunto, você terá permissão. Naturalmente, ele terá que vir aqui, para que seu pai e eu o conheçamos melhor. E se houver alguma objeção, Lidiane, é para o seu bem.
Foi duro engolir o “discurso quadrado” de sua mãe naquele momento. Mas o tempo foi passando e Lidiane decidira obedecer o conselho dos pais. Finalmente chegou o seu aniversário de quinze anos. Como era filha única, os pais prepararam uma festa pomposa. Foi lá que conheceu Franklim. O rapaz parecia realmente interessado nela. Havia uma admiração em seu olhar! Tinha dezesseis anos - e como era bonito! Além disso, era recém-chegado do Rio. Seu sotaque carioca era uma gracinha e o tornava mais atraente ainda.
Depois de mais alguns meses, quando a amizade entre os adolescentes se firmou, depois da “tão longa espera”, Lidiane pôde chegar em casa com Franklin e apresentá-lo oficialmente como o seu namorado. Até a mãe de Lidiane estava emocionada. O pai levantou a sobrancelha, sorriu meio a contragosto e apertou a mão do rapaz.
O sonho de Lidiane estava quase realizado. Só faltava chegar o dia 12 de junho, para sair com Franklin, o primeiro namorado, trocar cartões, presentes...
Quando o dia esperado chegou, Lidiane acordou com uma sensação gostosa de felicidade. “Hoje é o dia dos namorados e eu tenho um namorado! Obrigada, Jesus!”
Franklin chegou pela tarde e ficou na sala conversando com a namorada e a família dela. Alguns minutos depois, Lidiane foi até á cozinha, terminar de preparar um lanche que preparara especialmente para a ocasião. Juliete pediu licença e foi ajudar a filha. Encontrou-a nervosa, tentando escolher a melhor vasilha para colocar o bolo.
- Calma, Lidiane. Está tudo bem. É o seu namorado, fique à vontade e aja com naturalidade.
- Ai, mãe. Tô tão nervosa! A senhora acha que o bolo está bom?
- Nós já provamos, filha. Está tudo muito bom.
Lidiane sorriu com ternura para sua mãe.
- Mãe, obrigada por aceitar tão bem o Franklin.
- Filha, sua hora chegou e estou feliz com isso. Você deve aproveitar com juízo e sempre lembrando de ouvir nossos conselhos, buscando acima de tudo, orientação de Deus. Tudo terminará bem, se agir assim.
Lidiane soltou um suspiro e colocou as fatias de bolo arrumadas na vasilha. Caminhou até a sala um pouco mais confiante com o apoio da mãe. Franklin sorriu de um jeito muito carinhoso, e fez questão de elogiar o bolo.
Hora de sair. “Será que o papai vai fazer algum sermão?” Papai olhou firme para Lidiane e seu primeiro namorado.
- Vocês dois saiam, aproveitem o passeio e se comportem. Ei, Franklin não me desaponte!
O rapaz deu um largo sorriso e estendeu a mão para o... – quem sabe? - Futuro sogro.
- Não se preocupe, irmão Roberto. Prometo cuidar bem da sua filha.
- Se querem chegar cedo, é melhor irem saindo, ele respondeu sorrindo.
Lidiane segurou a mão do namorado e caminhou até a porta. No portão ela voltou-se para olhar os pais. Abraçados, eles sorriam para ela. Papai ainda falou para ela apenas com o movimento dos lábios:
“Juízo hein?!”
O portão fechou-se e Lidiane olhou de frente pela primeira vez para o sonho concretizado. Segurando a mão de Franklin, sentindo o carinho do rapaz, ela deu-se conta do quanto valera a pena obedecer seus pais e esperar pela permissão deles.
- Mãe, olha o que eu ganhei do Beto! Luciana ergueu a mão e mostrou a barra de chocolate. Juliete sorriu desconfiada. Não queria estragar a alegria da filha, mas precisava entender melhor a situação.
- Por que o Beto lhe deu esta barra de chocolate?
- Ora, mamãe! Ele gosta de mim. Somos namorados agora.
- Ah... é? Qual é mesmo a idade do Beto?
- A senhora sabe, mãe. Ele tem doze anos. Não está feliz?... O riso de Lidiane murchara em seu rosto.
Juliete abraçou a filha e acompanhou-a até seu quarto.
- Querida, eu fico contente por ver que o Beto gosta de você. É bom ter amigos nessa idade...
- Mas não somos amigos. Somos na-mo-ra-dos!
- Lidiane, você é muito nova para namorar! Juliete sorriu e Lidiane engoliu aquilo por um instante; depois comentou num tom de quem sabia bem do assunto.
- Minhas amigas não acham, nem as revistinhas escritas pra gente da nossa idade. A mãe da Cristina disse uma vez pra nós duas, que a vida é curta e temos que aproveitar!
- E o que eu e o seu pai sempre dizemos para você?
Lidiane soltou um suspiro.
- Há tempo para tudo, “querida” – Ela arremedou os pais.
Juliete continuou seu discurso:
- Você é muito nova ainda. Terá oportunidade de crescer e aproveitar cada nova fase de sua vida. Isso inclui o namoro. Por enquanto, aproveite seus amigos, divirta-se e estude. Quanto às revistinhas que você anda lendo, gostaria de dar uma olhadinha nelas. E entenda uma coisa, filha: nem tudo o que a gente lê, é para ser seguido ao pé da letra, ouviu?
Depois veio o Vítor, quando ela tinha treze anos. Eles estudavam na mesma sala, participavam dos mesmos grupos de trabalho e ele era lindo, excepcionalmente lindo, na ótica de Lidiane. Ela achou que a idade ideal finalmente chegara e foi conversar com a mãe. Que decepção! Sua mãe não concordara com ela e até sorrira dizendo que a idade certa iria chegar.
- Ah, é? E quando? Qual é, finalmente, a idade certa? Ela explodiu.
Juliete pensou um pouco.
- Quando você tiver uns quinze, dezesseis anos, se aparecer um rapaz decente, se seu pai e eu concordarmos com o assunto, você terá permissão. Naturalmente, ele terá que vir aqui, para que seu pai e eu o conheçamos melhor. E se houver alguma objeção, Lidiane, é para o seu bem.
Foi duro engolir o “discurso quadrado” de sua mãe naquele momento. Mas o tempo foi passando e Lidiane decidira obedecer o conselho dos pais. Finalmente chegou o seu aniversário de quinze anos. Como era filha única, os pais prepararam uma festa pomposa. Foi lá que conheceu Franklim. O rapaz parecia realmente interessado nela. Havia uma admiração em seu olhar! Tinha dezesseis anos - e como era bonito! Além disso, era recém-chegado do Rio. Seu sotaque carioca era uma gracinha e o tornava mais atraente ainda.
Depois de mais alguns meses, quando a amizade entre os adolescentes se firmou, depois da “tão longa espera”, Lidiane pôde chegar em casa com Franklin e apresentá-lo oficialmente como o seu namorado. Até a mãe de Lidiane estava emocionada. O pai levantou a sobrancelha, sorriu meio a contragosto e apertou a mão do rapaz.
O sonho de Lidiane estava quase realizado. Só faltava chegar o dia 12 de junho, para sair com Franklin, o primeiro namorado, trocar cartões, presentes...
Quando o dia esperado chegou, Lidiane acordou com uma sensação gostosa de felicidade. “Hoje é o dia dos namorados e eu tenho um namorado! Obrigada, Jesus!”
Franklin chegou pela tarde e ficou na sala conversando com a namorada e a família dela. Alguns minutos depois, Lidiane foi até á cozinha, terminar de preparar um lanche que preparara especialmente para a ocasião. Juliete pediu licença e foi ajudar a filha. Encontrou-a nervosa, tentando escolher a melhor vasilha para colocar o bolo.
- Calma, Lidiane. Está tudo bem. É o seu namorado, fique à vontade e aja com naturalidade.
- Ai, mãe. Tô tão nervosa! A senhora acha que o bolo está bom?
- Nós já provamos, filha. Está tudo muito bom.
Lidiane sorriu com ternura para sua mãe.
- Mãe, obrigada por aceitar tão bem o Franklin.
- Filha, sua hora chegou e estou feliz com isso. Você deve aproveitar com juízo e sempre lembrando de ouvir nossos conselhos, buscando acima de tudo, orientação de Deus. Tudo terminará bem, se agir assim.
Lidiane soltou um suspiro e colocou as fatias de bolo arrumadas na vasilha. Caminhou até a sala um pouco mais confiante com o apoio da mãe. Franklin sorriu de um jeito muito carinhoso, e fez questão de elogiar o bolo.
Hora de sair. “Será que o papai vai fazer algum sermão?” Papai olhou firme para Lidiane e seu primeiro namorado.
- Vocês dois saiam, aproveitem o passeio e se comportem. Ei, Franklin não me desaponte!
O rapaz deu um largo sorriso e estendeu a mão para o... – quem sabe? - Futuro sogro.
- Não se preocupe, irmão Roberto. Prometo cuidar bem da sua filha.
- Se querem chegar cedo, é melhor irem saindo, ele respondeu sorrindo.
Lidiane segurou a mão do namorado e caminhou até a porta. No portão ela voltou-se para olhar os pais. Abraçados, eles sorriam para ela. Papai ainda falou para ela apenas com o movimento dos lábios:
“Juízo hein?!”
O portão fechou-se e Lidiane olhou de frente pela primeira vez para o sonho concretizado. Segurando a mão de Franklin, sentindo o carinho do rapaz, ela deu-se conta do quanto valera a pena obedecer seus pais e esperar pela permissão deles.

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