dezembro 14, 2006

7- Vestibular

Eram sete horas da manhã. Adriana roía as unhas nervosa. Sentada na calcada do Colégio Hélio Lemos, ela aguardava ansiosa, o momento em que os portões seriam abertos para que os estudantes entrassem e prestassem o vestibular.
Havia poucos jovens à porta do Colégio. Os portões só abririam às oito horas. Adriana entregou-se a seus próprios pensamentos. Pensou nas provas, no quanto estudara o ano todo e em como planejava passar! Escolhera medicina. Um curso nada fácil. Mas era o seu ideal desde menina.
Engraçado.A primeira vez que lhe passou pela cabeça ser médica, foi quando o missionário Hudson voltou da África e falou sobre as necessidades daquele país. Adriana tinha dez anos na época, mas ficou muito triste ao saber que muitas crianças morriam por causa da pobreza, da falta de comida e remédio.
Desde então, decidira ser médica para ajudar as crianças pobres da África. Claro, os anos passaram-se. Ainda era fascinada por missões e acalentava lá no fundo, o sonho de ser uma profissional da área de saúde, ir para países distantes, levar o evangelho, medicar os feridos... Mas até ali, nada de especial lhe fora dito da parte de Deus. Nenhuma chamada especial por enquanto.
Tudo bem. Adriana deu duro, estudou muito os três anos do 2º grau e agora estava prestes a iniciar a batalha. Orou muito também, pedindo a direção de Deus. Afinal, tudo o que ela queria era ser médica-missionária num país distante.
A conversa animada dos estudantes ao lado de Adriana trouxeram-na de volta à realidade. Olhou o relógio, sobressaltada. Faltavam cinco minutos para os portões se abrirem. Levantou-se, esticou os braços e as pernas tentando relaxar. Queria ficar bem tranqüila, mas não estava. Um friozinho nervoso começou a percorrer sua barriga. As mãos ficaram frias, úmidas, tudo ao mesmo tempo.
“O Senhor é o meu pastor nada me faltará. Tudo posso Naquele que me fortalece”. Recordando os
versículos bíblicos, Adriana acalmou-se e orou.
“Jesus, toma a minha frente nestas provas. Realiza o teu querer em minha vida!”
Os portões do Colégio foram abertos. Adriana seguiu em frente tendo uma certeza: sua vida estava nas mãos de Deus. Seu futuro também. Quando o momento certo para que seus sonhos profissionais e ministeriais fossem realizados chegasse, ela saberia. Deus daria a direção certa para ela e ela seria útil à Causa do Mestre. Por hora, havia uma etapa a vencer. E ela estava confiante em Deus. Não havia o que temer! Com um suspiro, Adriana sentou-se e aguardou pelo início dos testes.